sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Projeto de pesquisa - Trabalho Infantil

A noção de infância não é universal nem pode ser pensada apenas como uma fase da vida humana indistinta ao contexto histórico e sociocultural em que está inserida. É preciso levar em conta que, ao longo da nossa história, houve diferentes significados e maneiras de tratar a infância, sendo necessário que os estudos que tratem dessa temática tomem essa categoria de análise na sua pluralidade, sendo capazes de perceber os distintos sentidos dados por diferentes sujeitos sociais, além das singularidades culturais.
A temática da infância não é recente. Segundo Alvim e Valladares (1988), no Brasil a preocupação com a infância pobre data do final do século XIX, com a criação em 1899 do Instituto de Proteção e Assistência à Infäncia no Rio de Janeiro, com o objetivo de

[...] exercer a proteção sobre as crianças pobres, doentes, moralmente abandonadas; regulamentar a lactação mercenária; difundir entre famílias proletárias noções elementares de higiene infantil, incluindo a necessidade de vacinação; regulamentar o trabalho da mulher e da criança na indústria; exercer tutela sobre meninos maltratados ou em perigo moral (RUSSO, 1985, pp. 66-67, apud ALVIM e VALLADARES, 1988, p. 4).

A institucionalização da infância no Brasil, ou a emergência de um “sentimento de infância” (ARIÉS, 1981), está atrelada ao surgimento da infância enquanto problema social. Nesse sentido, segundo Miranda (2009, p. 186) “a partir do século XIX, até a segunda metade do século XX, medidas corretivas – punição aos crimes e reabilitação principalmente através do trabalho – irão marcar a legislação e as políticas públicas voltadas à infância e à adolescência das classes trabalhadoras”.

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